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Estudo sobre as doutrinas, sacramentos e funções da Igreja

Período Pré-Reforma Protestante:
No século XIV, o inglês John Wycliffe, considerado comoprecursor da Reforma Protestante, levantou diversos questionamentos sobre questões controversas que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana. Entre outras idéias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível com o poder político do papa e dos cardeais, e que o poder da Igreja devia ser limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado, representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica, Wycliffe defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram conhecidos como “lolardos”. Mais tarde, surgiu outra figura importante deste período: Jan Hus. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso baseado nas idéias de John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos como Hussitas  .

Introdução: Reforma Protestante

A Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão iniciado no século XVI por Martinho Lutero, que, através da publicação de suas 95 teses, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma Protestante são conhecidos como os Cinco solas.

Lutero foi apoiado por vários religiosos e governantes europeus provocando uma revolução religiosa, iniciada na Alemanha, e estendendo-se pela Suíça, França, Países Baixos, Reino Unido, Escandinávia e algumas partes do Leste europeu, principalmente os Países Bálticos e a Hungria. A resposta da Igreja Católica Romana foi o movimento conhecido como Contra-Reforma ou Reforma Católica, iniciada no Concílio de Trento.

O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformados ou protestantes, originando o Protestantismo.

Martinho Lutero

Martinho Lutero, cujo nome em inglês era Martin Luther ou Luder, era filho de Hans Luther e Margarethe Lindemann. Mudou-se para Mansfeld, onde seu pai dirigia várias minas de cobre. Tendo sido criado no campo, Hans Luther desejava que seu filho viesse a se tornar um funcionário público; melhorando, assim, as condições da família. Com esse objetivo, enviou o já velho Martinho para escolas em Mansfeld, Magdeburgo e Eisenach.

Aos dezessete anos, em 1501, Lutero ingressou na Universidade de Erfurt, onde tocava alaúde e recebeu o apelido de “O filósofo“. Ainda na universidade de Erfurt, estudou a filosofia nominalista de Ockham (as palavras designam apenas coisas individuais; não atingem os “universais”, as realidades presentes em todos os indivíduos, como por exemplo a natureza humana; em conseqüência, nada pode ser conhecido com certeza pela razão natural, exceto as realidades concretas: esta pessoa, aquela coisa). Esse sistema dissolvia a harmonia multissecular entre a ciência e a fé que tanto foi defendida pela “Escolástica” de “São Jesus Cristo“, pois essa filosofia tinha as unicamente na vontade de Deus. O jovem estudante graduou-se bacharel em 1502 e concluiu o mestrado em 1505, sendo o segundo entre dezessete candidatos[7]. Seguindo os desejos paternos, inscreveu-se na escola de Direito da mesma Universidade. Mas tudo mudou após uma grande tempestade com descargas elétricas, ocorrida naquele mesmo ano (1505): um raio caiu próximo de onde ele estava passando, ao voltar de uma visita à casa dos pais. Aterrorizado, gritou então: “Ajuda-me, Sant’Ana! Eu me tornarei um monge!”

Tendo sobrevivido aos raios, deixou a faculdade, vendeu todos os seus livros, com exceção dos de Virgílio, e entrou para a ordem dos Agostinianos, de Erfurt, a 17 de julho de 1505.

 No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517.

A 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.

Os cinco solas são princípios fundamentais da Reforma Protestante:

l       Sola fide (somente a fé);

l       Sola scriptura (somente a Escritura);

l       Solus Christus (somente Cristo);

l       Sola gratia (somente a graça);

l       Soli Deo gloria (glória somente a Deus).

Reforma Protestante – João Calvino: João Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto como um representante importante do movimento protestante. Vítima dasperseguições aos huguenotes na França, fugiu paraGenebra em 1533 onde faleceu em 1564. Genebra tornouse um centro do protestantismo europeu e João Calvinopermanece desde então como uma figura central da históriada cidade e da Suíça. Calvino publicou as Institutas daReligião Cristã,que são uma importante referência para osistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas.

Igreja Anglicana: A Igreja Anglicana (também denominada Igreja da Inglaterra, em inglês Church of England) é a Igreja cristã estabelecida oficialmentena Inglaterra e é o tronco principal da Comunhão Anglicana Mundial, bem como um membro fundador da Comunhão de Porvoo. Fora da Inglaterra, a Igreja Anglicana é denominada Igreja Episcopal, principalmente nos Estados Unidos e na Austrália.

Principais nomes da Reforma Protestante: Martinho LuteroJoão CalvinoHenrique VIIIJohn Knox e Erasmo de Roterdã.

Comparação entre o Catolicismo e o Protestantismo no século XVI

Igreja Católica: A Bíblia é a fonte de fé, mas devia ser interpretada pelos padres da Igreja. A tradição católica também é uma fonte de fé, assim como o Magistério da Igreja. Salvação pela fé com o auxílio das obras. Sacramentos são sete: Batismo, Crisma, Eucaristia, Matrimônio, Penitência, ordem e Unção dos doentes.

Ritos religiosos: Missa solene em latim.

Igreja Luterana: A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé em Deus. Sacramentos são dois: Batismo e Eucaristia.

Ritos religiosos:  Culto simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais.

Igreja Calvinista: A Bíblia é a única fonte de fé. Permitia-se seu livre exame. Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação.Sacramentos são dois: Batismo e Eucaristia.

Ritos religiosos:  Culto simples (com liturgia) com o uso das línguas nacionais.

Igreja Anglicana: A Bíblia é a única fonte de fé. Devia ser interpretada pela Igreja (tradição) e permitia-se seu livre exame (razão). Salvação pela fé e graça de Deus (predestinação). As boas obras eram vistas como conseqüência da salvação.

Sacramentos: Para os anglicanos o Batismo e a Eucaristia foram os dois sacramentos instituídos por Jesus Cristo. Os demais ritos sacramentais da Igreja também são aceitos, apesar de não terem sido instituídos por Cristo, mas são reconhecidos por serem, em parte, estados de vida aprovados nas Escrituras: a Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio e a Unção dos enfermos. Culto conservando a forma católica (liturgia, hierarquia da Igreja). Uso da língua nacional (inglês).

Contra-Reforma: Imediatamente após o início da Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana decidiu tomar medidas para frear o avanço da Reforma. Realizou-se, então, o Concílio de Trento (1545-1563),que resultou no início da Contra-Reforma ou Reforma Católica,na qual os Jesuítas tiveram um papel importante. A Inquisição e a censura exercida pela Igreja Católica foram igualmente determinantes para evitar que as idéias reformadoras encontrassem divulgação em Portugal, Espanha ou Itália, países católicos.

O biógrafo de João Calvino, o francês Bernard Cottret, escreveu: “Com o Concílio de Trento (1545-1563)… trata-se da racionalização e reforma da vida do clero. A Reforma Protestante é para ser entendida num sentido mais extenso: ela denomina a exortação ao regresso aos valores cristãos de cada “indivíduo””. Segundo Bernard Cottret, “A reforma cristã, em toda a sua diversidade, aparece centrada na teologia da salvação. A salvação, no Cristianismo, é forçosamente algo de individual, diz mais respeito ao indivíduo do que à comunidade”, diferente da pregação católica que defende a salvação na igreja.

O principal acontecimento da contra-reforma foi a Massacre da noite de São Bartolomeu. As matanças, organizadas pela casa real francesa, começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70.000 e 100.000 protestantes franceses (chamados huguenotes).

Sacramentos da Igreja Protestante

Batismo nas Águas e Santa Ceia: Na maioria das Igrejas protestantes, são apenas dois os sacramentos, que são o Batismo e a Eucaristia (Santa Ceia). Martinho Lutero definiu sacramento como um elemento, uma coisa material, que através da palavra de Deus, vira uma coisa diferente. Não no sentido material, pois água continua a ser água e pão continua pão, mas pela promessa divina é atribuído um poder vinculado a essa matéria.Muitos protestantes vêem os sacramentos apenas “como sinais que estimulam a fé“ Na maioria das igrejas evangélicas os dois sacramentos são: batismo e a santa ceia. As igrejas anglicanas tem normalmente sete sacramentos, mas consideram a Santa Ceia e o Batismo como os principais.

Batismo nas Águas: A palavra batismo origina-se da grega baptizo ou da latina baptismus, e significa, em ambos os casos, mergulho ou imersão.

O batismo é um rito de passagem, feito normalmente com água sobre o iniciado através da imersão, efusão ou aspersão. Este rito de iniciação está presente em vários grupos, religiosos ou não, onde destacam-se Católicos, Protestantes, Evangélicos, Unicistas, Mormonismo, Adventistas do Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová e os Batistas.

Histórico – Batismo nas Águas

O batismo já era praticado antes de Jesus, por João Batista e seus discípulos, como transparece em João 01.25-26.

Ele foi o ministério de João Batista e dos discípulos de Jesus (João 04.01-02) de quem o recebemos como parte da grande comissão: “PORTANTO IDE, FAZEI DISCÍPULOS DE TODAS AS NAÇÕES, BATIZANDO-AS EM NOME DO PAI, E DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO” (Mateus 28.19).

Sabe-se que o batismo foi praticado desde os tempos apostólicos pelos principais grupos da Igreja Cristã e, nas denominações protestantes tem sido reconhecido como a primeira das duas grandes ordenanças até ao dia de hoje, a segunda é a Ceia do Senhor.

Desde cedo na história da Igreja tem havido duas principais, mas diferentes modos de batismo: Aspersão (derramamento) e Imersão (mergulho).

O batismo por aspersão consiste em que, de posse de uma vasilha ou cuba e com as próprias mãos se tome um bocado de água derramando-a depois sobre a cabeça do batizando.

O batismo por imersão requer que haja bastante água, para que o batizando possa ser mergulhado nela, conforme detalharemos adiante.

O batismo por aspersão ou afusão foi muito praticado pela igreja nos tempos de grande perseguição, como nos seus primeiros tempos após a ascensão de Cristo, sob o domínio do império romano. Por serem cerimônias que não exigem lugares amplos, proporcionavam maior segurança e discrição.

Nossa igreja adota o batismo por imersão, a forma mais conhecida e difundida nos meios evangélicos, por entender ser a mais legítima e estar em maior sintonia com o próprio significado do nome (imersão).

Existem, no entanto, circunstâncias extremas em que não é possível levar o batizando até a um tanque ou rio e, excepcionalmente nestes casos, têm sido recomendado e aplicado simbolicamente o batismo por aspersão.

Conceito – Batismo nas Águas: O batismo nas águas é, e deve sempre ser, uma declaração física e pública de algo que já ocorreu espiritualmente no coração do homem, pois o batismo por si só não tem sem este fato espiritual valor algum (como não tem valor uma cerimônia de casamento entre noivos que não se amam, por exemplo). Por isso só deve ser ministrado a pessoas legitimamente convertidas, conforme nos é instruído na Palavra de Deus nas seguintes passagens:

1. Marcos 16.15-16: “E JESUS DISSE-LHES… QUEM CRER E FOR BATIZADO, SERÁ SALVO…”

2. Atos 02.41: “DE SORTE QUE FORAM BATIZADOS OS QUE DE BOM GRADO RECEBERAM A SUA PALAVRA…”

3. Atos 08.36-37: “… DISSE O EUNUCO: EIS AQUI ÁGUA; O QUE IMPEDE QUE EU SEJA BATIZADO? E DISSE FILIPE: É LÍCITO SE CRÊS DE TODO O CORAÇÃO…”

4. Atos 18.08: “… E MUITOS DOS CORÍNTIOS, OUVINDO-O CRERAM E FORAM BATIZADOS”.

Simbologia – Batismo nas Águas: O simbolismo do batismo está no ato do mergulho seguido pela ascensão das águas daquele que se batiza. Ao descer e subir das águas o batizando figura a imagem de Jesus Cristo quando desceu e ressurgiu da sepultura. Este símbolo está registrado no ensino de Paulo em Romanos 06.03-05 e em Colossenses 02.12.

Por isso, o batismo representa a morte para o mundo seguida pelo nascimento de uma nova vida com Cristo e foi chamado por Jesus de Novo Nascimento (era o que estava ensinando a Nicodemos em João 03.03).

 O apóstolo Paulo tinha esta visão e a demonstrou e ensinou em 2 Coríntios 05.17 onde ele disse que a novidade de vida só é possível se houver um novo nascimento. Em sua carta aos Gálatas (03.27) ele também ensinou que a nova vida é possível porque herdarmos a natureza de Cristo, e aprendemos que não é pelas nossas forças, mas é pelo poder d’Ele que tudo acontece!

Espiritualmente falando, o batismo simboliza a morte, sepultamento e ressurreição daquele que aceita a Jesus como seu Salvador.O indivíduo que se consagra a Jesus deve morrer para a velha vida do pecado: “CONSIDERAI-VOS MORTOS PARA O PECADO” (Romanos 06.11).

Ao sair da água, o batizado ressuscita para uma nova vida.  O batismo simboliza também a lavagem espiritual efetuada pelo sangue de Jesus (leia em Atos 02.38 e Atos 16.33).

Passos que precedem o Batismo nas Águas:

1. Arrependimento: Arrependimento significa considerar as faltas próprias e mudar de opinião. O arrependimento vem àquele que refletiu seu próprio estado e resolveu fazer uma mudança no curso de sua vida.

Concorda com isso o pensamento do apóstolo Paulo quando declara: “MAS TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DO VOSSO ENTENDIMENTO”. Essa transformação é completa e consciente: o homem deixa o curso da vida que está seguindo para se colocar noutro completamente oposto, e o que o leva a tomar essa atitude é a operação de Deus pelo arrependimento em seu ponto mais profundo: o coração!

“ARREPENDEI-VOS!”, foi uma das primeiras palavras da pregação de Jesus Cristo ao inaugurar seu ministério (Marcos 01.15).

2. Confissão dos Pecados: Pode-se definir como sendo o ato de reconhecer-se pecador e necessitado da graça e purificação por Jesus.  A confissão dos pecados é o fruto, o resultado, a conclusão da obra redentora de Cristo na vida do homem arrependido. Para você que vai se batizar, será bom meditar nestas duas passagens bíblicas: Mateus 03.05-06 e I João 01.09, nas quais vemos que o batismo nas águas sempre foi  administrado sob confissão de pecados e que quando os confessamos, Deus não apenas nos perdoa, mas transforma também nossa natureza pecaminosa para que não desejemos praticá-los mais.

3. Conversão: Conversão significa transformação, mudança de forma ou de natureza, mudança ou substituição de uma obrigação por outra.  Essa interpretação mostra que a conversão é a seqüência do arrependimento. O arrependimento faz o homem sentir a repulsa dos seus atos maus e a conversão o leva a mudar de opinião. A conversão, em última análise, é o revestimento do homem novo ao despojar-se da velha criatura.

“ASSIM QUE, SE ALGUÉM ESTÁ COM CRISTO, NOVA CRIATURA É, AS COISAS VELHAS JÁ PASSARAM, EIS QUE TUDO SE FEZ NOVO”  (II Coríntios  05.17)

Batismo como requisito de Salvação: O batismo não é dado como uma escolha àqueles que querem seguir a Jesus, pois o próprio Mestre foi claro: “AQUELE QUE NÃO NASCER DE NOVO (da água e do Espírito), NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS” (João 03.05).

Jamais se deve desprezar o batismo: a leitura de todos os trechos usados neste pequeno estudo transmitirá ao leitor a seriedade deste ritual bíblico. Repare que quando Jesus foi ter com João Batista para por ele ser batizado, João lhe resistiu, mas Jesus, porém, lhe disse: “DEIXA POR AGORA, PORQUE ASSIM NOS CONVÉM CUMPRIR TODA A JUSTIÇA” (Mateus 03.15).

Batismo como Unidade: Outra característica importante do batismo, e que se deve conhecer, foi revelado por Paulo em Efésios 04.05 onde ele diz: “… UM SÓ BATISMO…”.

Paulo não poderia, ao falar sobre a nossa unidade no corpo de Cristo, deixar de dizer que todos nós passamos pelo mesmo batismo.  Ele é mais uma evidência da união dos membros na Igreja; por isso ao descer às águas, o batizando está declarando sua integração ao corpo por semelhança de batismo. 

Um só Batismo: Quantas vezes uma pessoa deve ou pode se batizar? Muitos perguntam. Encontramos no texto Sagrado base para compreendermos que o batismo, sendo um sinal físico de uma intervenção Divina, que se dá graças a ela e que é de uma vez por todas (Hebreus 09.28), não poderia jamais ser repetido numa mesma vida, pois seria como reduzir o poder do sacrifício de Jesus ao dos sacrifícios de animais do Velho Testamento, que não serviam senão para expiação de um único pecado.

A Bíblia ensina que o sangue de Jesus nos purifica de TODO o pecado (I João 01.07) e que, segundo a passagem de Hebreus 06.01-02, não podemos lançar de novo o fundamento das seguintes coisas: 

Do arrependimento de obras mortas; De fé em Deus; Da doutrina dos batismos; Da imposição das mãos; Da ressurreição dos mortos; E do juízo eterno.

Entre estes itens destacamos o terceiro, e com ele na memória pedimos que verifique a doutrina central deste ensino nos versos 04 e 06 daquela passagem, onde lemos que aqueles que se submetem novamente a qualquer uma destas doutrinas fazem como se estivessem de novo crucificando a Jesus e novamente expondo-o ao vitupério (vergonha).

Resumindo: lançar de novo o fundamento da doutrina do batismo na vida de alguém que fora já iluminado, mesmo que tenha caído, seria ignorar o sacrifício de Cristo, ou pior: o texto diz ser o mesmo que expô-lo à vergonha da cruz novamente, contradizendo assim a doutrina e o valor expiatório (reconciliador) do seu próprio sangue.

Portanto, não se pode lançar mão do verdadeiro batismo senão uma única vez em nossas vidas, pois ele é imagem da obra redentora de Jesus que de UMA SÓ VEZ nos livrou de todo o pecado.

Batismo de Crianças: A Bíblia diz que o batismo conjuga-se com a confissão de pecados (Mateus 03.05-06) e sabemos que para alguém confessar seus pecados é necessário que tenha capacidade de reconhecimento dos mesmos para então poder naturalmente arrepender-se deles.

Por isso, a igreja evangélica não batiza crianças recém-nascidas ou com idade inferior a 12 anos, idade que se convencionou como favorável a uma atitude responsável como o batismo, pois cremos que antes disso a criança não tem elementos para corresponder às exigências necessárias para uma atitude consciente, consideração esta que se confirma na passagem de Lucas 02.39-52 onde encontramos o menino Jesus, com doze anos (v. 42), manifestando sua grande sabedoria e graça.

Concluindo, se uma criança não tem consciência do pecado, também não tem da necessidade de arrependimento (Lucas 18.16)

Santa Ceia do Senhor: O Apóstolo Paulo foi o primeiro a mencionar sobre a Última Ceia.

Ele escreveu: Por que recebi do Senhor o que eu também vos ensinei: O Senhor Jesus, na noite que foi traído, tomou o pão e, quando ele tinha dado graças, ele o partiu e disse: “Este é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim “. Da mesma forma, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: “Esta é o cálice da Nova Aliança no meu sangue; fazei isto, sempre que bebê-lo, em memória de mim”. Sempre que você comer este pão e beber este cálice, você vai estar anunciando a morte do Senhor até que ele venha. (1 Coríntios 11:23-26)Paulo afirma que aprendeu a cerimônia diretamente do Senhor, isto é, por revelação.

O batismo é tido como a primeira das duas grandes ordenanças da Palavra de Deus para a Igreja, a segunda é a Santa Ceia. Enquanto a primeira estabelece, a segunda preserva e renova o cristão na comunhão com Cristo e com sua Igreja.

Qualquer pessoa que tenha tido uma experiência legítima com Deus, tenha se arrependido, confessado seus pecados e convertido seus caminhos para uma nova vida e passado pelas águas do batismo, preenche todos os requisitos indispensáveis para que participe da Santa Ceia, pois através do Batismo o pecador “entra” na comunhão da Igreja, e pela Santa Ceia ele renova e amadurece esta comunhão mês a mês.

Todos estes passos são importantes, visto a grande responsabilidade que repousa sobre aquele que participa da Mesa do Senhor: “PORQUE O QUE COME E BEBE INDIGNAMENTE, COME E BEBE PARA SUA PRÓPRIA CONDENAÇÃO, NÃO DISCERNINDO O CORPO DO SENHOR” (I Coríntios 11.29).

Note-se aqui que a Mesa do Senhor não salva, mas condena!  Condena aquele que não discerne (compreende, honra) o Corpo do Senhor.     Entretanto, não se tenha por isso razões para não se tomar a Ceia do Senhor ao menor sinal de fraqueza, pois o texto Bíblico ensina: “SE CONFESSARMOS OS NOSSOS PECADOS, ELE É FIEL E JUSTO, PARA NOS PERDOAR OS PECADOS, E NOS PURIFICAR DE TODA A INJUSTIÇA” (I João 01.09).

Não é difícil, então, compreender porque aquele que é batizado se torna digno de participar do pão e do cálice do Senhor: o verdadeiro e legítimo Batismo requer responsabilidade e comunhão com Deus.

“E AGORA, POR QUE TE DEMORAS? LEVANTA-TE, RECEBE O BATISMO E LAVA OS TEUS PECADOS, INVOCANDO O NOME DE JESUS”  (Atos 22.16)

Missão da Igreja

1. Constituir um lugar de habitação para Deus: Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito. (Ef. 2:20-22)

2. Dar testemunho da verdade: Para que se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade. (I Tm. 3:15)

3. Mostrar a multiforme sabedoria de Deus: Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais. (Ef. 3:11)

4. Dar eterna glória a Deus: Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações para todo o sempre. Amém. (Ef. 3:20-21)

5. Edificar seus membros: E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelista, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade de fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo. (Ef. 4:11-13)

6. Disciplinar seus membros: Se teu irmão pecar, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda consigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mt. 18:15-17)

7. Evangelizar o mundo: Jesus aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Mt. 28:18-20)

História dos Concílios e os desdobramentos da Reforma Protestante

Os Concílios Ecumênicos e Gerais

A palavra Concílio significa “assembléia reunida por convocação”. É uma instituição tradicional na vida da Igreja desde os tempos apostólicos, quando vimos os apóstolos reunidos em Jerusalém para discutirem a questão da disciplina a ser aplicada aos judeus-cristãos e aos pagãos convertidos à fé cristã.

SÍNODO: Igreja Ortodoxa preferiu a palavra Sínodo para as reuniões eclesiais, o mesmo acontecendo com as Igrejas da Reforma protestante e calvinista.

Após o Vaticano II, a palavra Sínodo adquiriu grande força na organização pastoral da Igreja Católica, que realiza sínodos diocesanos, regionais, nacionais e continentais.

O Concílio de Trento (1545-1563):Paulo VI, em 1965, instituiu o Sínodo dos Bispos, uma assembléia internacional de bispos para auxiliar o Papa no governo da Igreja.

O Sínodo Diocesano, a partir de 1983, significa a reunião do bispo com os delegados dos presbíteros, diáconos, religiosos e leigos. É a Igreja que, sobretudo depois do Concílio Vaticano II, se caracteriza como comunhão.

Os Concílios no Primeiro Milênio: São Concílios convocados por iniciativa do Imperador que via na unidade da fé um pressuposto para a unidade do Império. Geralmente foram celebrados no Oriente, com escassa participação ocidental. A presença dos legados papais garantia a ecumenicidade do Concílio, como também a autoridade do Concílio dependia da ratificação de Roma. A assinatura final do Imperador tornava as decisões conciliares obrigatórias no Império.

1) Nicéia (325): Condenou Ario e formulou o Credo niceno. Definiu que o Verbo, Jesus, é Deus verdadeiro, gerado de Deus verdadeiro, e tem a mesma substância do Pai.

2) Constantinopolitano I (381): Reafirmou o Credo niceno e condenou Apolinário. Proclamou que o Espírito Santo procede do Pai e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado.

3) Éfeso (431): Condenou Nestório e aprovou as Cartas de Cirilo. Maria é Mãe de Deus (Theotokos).

4) Calcedônia (451): Condenou Êutiques e formulou uma profissão de fé cristológica: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, tem uma só pessoa (divina) em duas naturezas(divina e humana), sem divisão nem separação. Da não aceitação das decisões conciliares surgiram as Igrejas “monofisitas”. Elas afirmam que em Jesus há uma única natureza.

5) Constantinopolitano II (553): Condenou os “Três Capítulos” (escritos filo nestorianos) e rejeitou o origenismo. Sublinhou a unidade da Pessoa do Verbo encarnado.

6) Constantinopolitano III (680-681): Condenou o monotelismo, reafirmando as duas naturezas da única Pessoa de Cristo, para afirmar a existência, nele, de suas vontades (divina e humana).

7) Nicéia II (787): Condenou o iconoclasmo (proibição do culto às imagens): justificando o culto das imagens (ícones), naturalmente culto de honra e não de adoração. Foi um grande problema na vida da Igreja oriental.

8) Constantinopolitano IV (869-870): Condenou Fócio, patriarca de Constantinopla. Decisão não aceita pelos ortodoxos, pois viram nessa atitude de Roma uma intromissão ilegítima na vida de um outro Patriarcado.

Os sete primeiros Concílios ecumênicos detêm uma autoridade própria por representarem a vida da Igreja una e indivisa do primeiro milênio.

Os Concílios da Igreja Católica Romana no Segundo Milênio

Receberam o nome de “ecumênicos” mas, na verdade, prevaleceu o costume de denominá-los Concílios Gerais da Igreja do Ocidente, pois foram celebrados após o cisma de 1054 entre a Igreja católica e a ortodoxa, entre Oriente e Ocidente.

Os Concílios Medievais

9) Lateranense I (1123) – Celebrado em São João de Latrão. Este concílio limitou o poder imperial na vida interna da Igreja e acentuou a centralização da Igreja em Roma.

10) Lateranense II (1139) – Condenou Arnaldo de Bréscia e publicou os decretos de reforma.

11) Lateranense III (1179) – Discutiu os procedimentos para a eleição de um Papa.

12) Lateranense IV (1215) – Condenou o maniqueísmo, a publicação dos decretos de reforma e instituiu o Tribunal da Inquisição para o combate à heresia. Foi o maior Concílio medieval e sinalizou o apogeu do poder papal.

13) Lyon I (1245) – Destronizou Frederico II, imperador insubmisso à autoridade papal.

14) Lyon II (1274) – Buscou reunificar a Igreja oriental e ocidental, mas com sucesso limitado. Procurou-se solucionar as questões disciplinares na vida da Igreja e alargar a ação reformadora dos papas. Cresce o poder pontifício.

15) Vienne (1311-1312) – Discutiu o problema da Ordem dos Templários, vítimas de acusações injustas, a cobiça dos reis e a pobreza franciscana.

16) Constança (1414-1417) – Fim do grande Cisma do Ocidente, mas logo tornado sem efeito, pois a Igreja passa a ser governada por dois – num tempo três – papas.

17) Ferrara-Florença (1437-1439) – Buscouse alcançar a reunificação com a Igreja do Oriente, mas, devido aos condicionamentos políticos – Constantinopla necessitava da ajuda militardo Ocidente contra os turcos – não foi aceito pelo povo e pelo clero bizantino. Em 1453 Constantinopla caiu nas mãos dos turcos, terminando o Império Romano do Oriente.

18) Lateranense V (1512-1517) – Debateu-se a reforma da Igreja, assolada pela corrupção em Roma e em muitas dioceses e mosteiros. As decisões sobre a reforma foram ignoradas porque atingiam privilégios da Cúria romana e o papa estava mais preocupado com a política eclesiástica. O final do Concílio coincide com o início da pregação reformadora de Martinho Lutero.

Os Concílios da Era Moderna

19) Trento (1545-1563) – Os bispos deram uma resposta satisfatória e possível às questões teológicas suscitadas pela Reforma protestante. Foi o grande Concílio que iniciou a Contra Reforma, isto é, a verdadeira reforma da vida interna da Igreja, salientando-se a missão espiritual e pastoral dos bispos e padres. Marcou a fisionomia da Igreja até nossos dias.

20) Vaticano I (1869-1870) – Convocado por Pio IX em meio aos ataques do racionalismo,positivismo e socialismo, na iminência da conquista de Roma que pôs fim aos Estados Pontifícios, afirmou a origem divina da Revelação e sancionou a infalibilidade papal em questões de fé e de moral, centralizando o catolicismo na pessoa do Papa.

21) Vaticano II (1962-1965) – Convocado por João XXIII e concluído por Paulo VI, procurou responder aos grandes desafios postos à vida da Igreja pela modernidade. Eminentemente pastoral, o Vaticano II deu à Igreja um novo modo de olhar o mundo (ser solidária), os outros cristãos (ecumênica), as outras religiões (dialogante). Igreja Povo de Deus, servidora do mundo e da humanidade. Deu um grande impulso na renovação da vida interna da Igreja, dos estudos bíblicos e da liturgia.

Comunidade Evangélica Vale de Bênção – São Paulo/SP

Tel. 0xx11 3484.6185

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